4 de junho de 2009

Você é servo ou Senhor?

Para que se tenha uma idéia apropriada do relacionamento entre o Senhor Jesus e os Seus servos é preciso voltar às origens do relacionamento humano entre os senhores e seus servos.
Desde os tempos mais remotos, a única diferença entre o servo e o animal de carga era que um possuía razão e o outro não. De fato, o servo ou escravo não tinha a livre disposição da própria personalidade e dos seus bens; não tinha o direito de expor sua personalidade e pensamentos, tampouco de satisfazer os próprios caprichos.

Naqueles tempos, existiam várias formas de impor às pessoas a condição de escravas ou de servas. A primeira era através da compra. Os servos eram adquiridos por um valor, como se fossem um objeto qualquer, passando a serem propriedade daqueles que os compravam. Nesse caso, enquadram-se os verdadeiros servos do Senhor Jesus Cristo, pois foram comprados não por dinheiro, mas pelo Seu precioso sangue.
Podemos compreender isso melhor quando o apóstolo Paulo diz:

“Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6.20).

O apóstolo João também diz:

“ Digno és de tomar o livro de abrir-lhe os selos, porque fostes morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda a tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.” (Apocalipse 5.9,10)

O sangue do Senhor foi o preço pago para nos tirar da condição de escravos do inferno, dando-nos a futura condição de reis e sacerdotes para Deus.
A segunda forma de servidão era pro meio da imposição política, em que os prisioneiros de guerra tornavam-se escravos.
A terceira forma ocorria por nascimento, pois os filhos de pais escravos, automaticamente, tornavam-se também escravos. A analogia aqui está na idéia de que os filhos daqueles que têm servido ao Senhor Jesus devem servi-Lo também. Muitos filhos de servos do Senhor (cristãos) não servem também a Deus devido ao fato de que a personalidade e as atitudes dos pais não são adequadas às do servo bom e fiel, pois, quando têm exemplo em casa, tornam-se fiéis seguidores de Cristo.
A quarta forma era como restituição. Se o ladrão na tivesse como restituir um roubo e pagar pelos danos causados, podia ser vendido como escravo. Há uma lição muito importante aqui: o ser humano jamais pode pagar a Deus a dívida pelos seus pecados, a não ser com sua própria vida, entregando-a a Jesus.
A quinta, por falta de dinheiro para pagar uma dívida. A pessoa que não tinha com que pagar a sua dívida era forçada a vender os filhos como escravos ou então os filhos eram confiscados pelo credor. Era comum o próprio devedor falido, bem como a sua esposa e filhos, se tornarem escravos do credor. O importante é que a dívida tinha que ser paga, não importando o sacrifício a ser feito para isso. O caso da viúva que veio até ao profeta Eliseu é um exemplo disso:

“ Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao Senhor. É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos.” ( Reis 4.1)

De acordo com a lei mosaica, um escravo hebreu precisava trabalhar por seis anos para ter o direito a sua liberdade, quando, então, o seu senhor era obrigado a lhe dar alguma recompensa para que pudesse dar reinício a sua vida por seus próprios meios.
A sexta, era por auto-venda. Uma pessoa poderia vender-se voluntariamente à escravidão a fim de escapar da miséria, mas, mesmo assim, após seis anos poderia se libertar. Nesse caso, também a pessoa não sairia de mãos vazias, pois o seu senhor tinha que lhe dar alguma compensação.
Muitos se têm proposto a servir o Senhor Jesus apenas para fugir da vida miserável em que vivem ou do lago de fogo eterno. Entretanto, algum tempo mais tarde se “redimem” da sua servidão ao Senho9r Jesus e buscam na lei do mundo o direito a algumas migalhas para começarem a viver livremente.
A sétima e última forma era por meio do rapto. Na lei de Moisés, raptar uma pessoa e reduzi-la à escravidão era uma ofensa punida com a morte. Os irmãos de José, por exemplo, se tornaram culpados desse crime e por isso temeram muito as consequências.
Qualquer que fosse a forma de aquisição do servo – através de compra, como no pagamento de dívida, prisioneiro, de guerra, etc. -, não tinha nenhum direito, somente obrigações e isso excluia salários ou qualquer tipo de recompensa. Os senhores davam comida, água e tempo para dormir apenas com o intuito de recompor as forças dos servos pra o trabalho diário, porém, no mais, era só servir. Não havia hora limite de trabalho, e tinha que estar disponível para servir o senhor a Toto e qualquer momento.
Jesus só é Senhor dos que Lhe servem.

Extraido do livro: O Senhor e o servo.

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